Gestão do Capital de Giro

29/03/2017

Diante do cenário econômico mundial é visível o aumento na concorrência e a necessidade de melhoria de produtos para atrair novos clientes e conseguir lucros cada vez maiores exigidos pelos investidores. Então há a necessidade de uma administração financeira que controle de forma eficaz as entradas e saídas de recursos.

Isso deve ser feito para que uma empresa altamente lucrativa não fique sem condições de liquidar suas dívidas ou faça investimentos errados. Para isso existem metodologias que auxiliam na análise e no planejamento da empresa. Um dos métodos é o estudo aprofundado do Capital de Giro, que engloba desde o estudo do caixa, políticas de vendas, de estoques e de investimentos.

O QUE É O CAPITAL DE GIRO?

O CDG é o dinheiro que tem um "ciclo" vicioso durante as operações normais da empresa (compra, pagamento, produção, venda e recebimento). O fluxo do dinheiro em uma empresa ocorre da seguinte forma:


Apesar de parecer complexo o fluxo ocorre primeiro com o sócio colocando dinheiro no caixa da empresa, então há a compra de estoques, imobilizado e outras despesas. Após a aquisição de estoques há a venda, se a vista o dinheiro retorna ao caixa; se a prazo a empresa necessita ter um controle de contas a receber. Então há o processo de cobrança e o dinheiro retorna ao caixa. Após isso o recurso é utilizado para pagamento de fornecedores e lucros podem ser distribuídos ao sócio.

Porém, devido aos prazos que a empresa tem para comprar de seus fornecedores e os que oferece para receber de seus clientes ocasionem a falta de caixa, o que faz com que seja necessário recorrer a empréstimos. Para suprir esse descompasso entre a empresa comprar, estocar, vender e receber é necessário ter uma folga financeira para evitar a necessidade de empréstimos e com isso ter de pagar juros.

POR QUE DEVO ME PREOCUPAR COM O CAPITAL DE GIRO?

A necessidade de controle do CDG se concentra no fato que se um empresário estiver pagando seus fornecedores em uma velocidade muito superior ao que recebe suas vendas, haverá a falta de recursos para suprir outras necessidades. Isso fará com que uma empresa com bom potencial de geração de lucros fique sem dinheiro para honrar seus compromissos o que pode a levar a falência.

Para administrar corretamente o CDG o empresário deve estar atento a quatro itens fundamentais: Estoques, Contas a Receber de Clientes, Contas a Pagar para Fornecedores, Empréstimos e o Caixa. Estes itens merecem atenção especial do gestor para que ocorra o aumento dos lucros da empresa.

Para fazer a gestão dos Estoques é necessário conhecer o Giro dos Estoques (GE) e os Prazos Médios de Estocagem (PME). O primeiro tem o objetivo de evidenciar a efetividade da venda dos produtos. Um baixo giro indica ineficiência, e um alto giro apresenta uma otimização no gerenciamento dos seus recursos. Isso ocorre porque os estoques não vendidos ocasionam custo de armazenagem e têm o risco de deterioração, já um giro alto reduz os riscos de perdas e aumenta a tendência lucros, maiores devido à venda em maior quantidade e reduz os fundos ociosos. Já o PME indica por quanto tempo os estoques ficam parados na empresa em número de dias, e seu conhecimento auxilia no estabelecimento de metas para sua redução.

Já para a gestão das Contas a Receber de Clientes é necessária para que sejam estabelecidas estratégias de aumento de lucros com vendas a prazo e redução de riscos de inadimplência. Essas estratégias envolvem basicamente conceder ou não crédito aos clientes. Também há fatores que existem em vendas a prazo e que devem ser medidos como os custos de análise de crédito, despesas com cobrança, riscos de inadimplência, custo de oportunidade e a inflação. Para isso o gestor deve conhecer o Giro das Duplicatas a Receber, que apresenta o número de vezes que a empresa vendeu e recebeu de seus clientes, que auxilia na avaliação da eficiência do setor de cobrança e o Prazo Médio de Recebimentos, que apresenta a média de dias entre a venda e o recebimento.

Em relação as Contas a Pagar aos Fornecedores e as Disponibilidades em Caixa, há a necessidade do estudo dos dois em conjunto. Para gerir o Caixa o gestor deve-se atentar aos excessos e faltas. Em relação aos excessos, não se pode cair em tentações fazer investimentos com grande risco de perda, já as faltas ocasionam o risco de não cumprir com suas obrigações. Como estratégias o gestor pode adotar o retardamento de pagamentos ou a aceleração da cobrança de seus clientes. Na primeira estratégia o que pode ser feito é pagar os Fornecedores com cheques nominais ou cruzados, que obrigam o depósito do cheque. Já na situação de antecipar recebimentos, o que pode ser feito é dar descontos aos seus clientes pela antecipação do pagamento.

Para a gestão dos Fornecedores é necessário conhecer a dinâmica dos pagamentos. Para isso utiliza-se cálculo do Prazo Médio de Pagamentos (PMP), que evidencia a média de dias entre a compra do insumo e seu pagamento. Isso o auxiliará a estabelecer estratégias para se comprar com prazos maiores ou acelerar suas vendas para manter o mínimo em estoques.

Entretanto, para que o gestor tenha todas as informações necessárias do CDG é necessário utilizar a contabilidade da empresa como fonte de dados. Com a contabilidade como ferramenta de obtenção de informações outros indicadores podem ser calculados e outras estratégias podem ser adotadas. Por fim, através de um Balanço Patrimonial bem elaborado e atualizado haverá uma gestão mais adequada ao objetivo dos investidores, que é a geração de lucros.